Fotorreportagem Cajueiro resiste e o fiasco do lançamento do porto

As imagens a seguir contam a história que se desenrolou dia 16 de março em São Luís.

Nessa data, membros do governo estadual – incluindo o governador do Maranhão – e representantes da WTorre/WPR juntamente com seus parceiros da empresa CCCC chinesa anunciaram o lançamento da pedra fundamental das obras de construção do porto da WPR em São Luís. Anunciaram ainda parceria com o grupo Lyon Capital, na verdade mais uma empresa de fachada, sócia minoritária da WTorre, comandada por  mais um investigado em operações como Lava Jato (seu administrador, Paulo Remy Gillet Neto, também sócio da WTorre, foi acusado de receber propina milionária para abandonar licitação).

A festa, entretanto, não saiu como encomendada. A cerimônia teria dois momentos: um no hotel Pestana, na Praia do Calhau, e outro, no local onde pretendem construir o porto. A parte que se passou no hotel teve a presença de um constrangido governador Flávio Dino, e de representantes chineses, que se refestelavam num banquete que lhes fora servido e de bugigangas que lhes eram ofertadas. Enquanto isso, na zona rural de São Luís, manifestantes bradavam desde o início da manhã, num protesto que durou quase dez horas sob sol escaldante.

Moradores do Cajueiro e de comunidades vizinhas, estudantes, professores, militantes dos direitos humanos chegaram logo cedo ao Cajueiro, e de lá saíram somente após constatar que ao menos suas vozes foram ouvidas e o recado dado: o Cajueiro vai resistir!

Mesmo com seguranças das empresas e policiais militares tentando impedir o protesto, este foi determinante para que o lançamento da pedra do porto fosse uma cerimônia esvaziada, em que os gritos de “fora WPR” prevaleceram. Veja nas imagens.

Logo cedo, moradores do Cajueiro se juntaram aos que lhe são solidários na luta contra a corporação apoiada pelo governo do Estado:

Carros da empresa e de suas firmas de segurança tentaram impedir a passagem dos manifestantes:

Com o bloqueio iniciado pela WPR, os manifestantes também impediram a passagem dos veículos da comitiva:

A polícia do Maranhão, sempre a mando dos poderosos:

Solidariedade: indígenas gamela, também vítimas da violência dos endinheirados no Maranhão, participam da ação junto aos moradores do Cajueiro:

Cerimonial, polícia, representantes das empresas: tudo junto e esperando o sol vencer os manifestantes, algo que não aconteceu:

A devastação já se abate sobre grande área verde de São Luís na região do Cajueiro:

A solidariedade se manifestou também em forma de comida: moradores do Cajueiro ofereceram alimentos e água, que foram divididos por quem participou da ação no dia 16:

Serviços públicos apropriados por corporações privadas:

 

Fotos: Claudio Castro