Ato da Resistência Democrática em São Luís tem início às 16h desta sexta-feira, 6 de abril, na REFFSA

Menos de 24 horas depois de o STF negar, por 6×5, habeas corpus solicitado pela defesa do ex-presidente Lula, Sergio Moro decretou sua prisão, dando prazo para que ele se apresente até às 17h desta sexta-feira, 6 de abril, à Polícia Federal em Curitiba. Imediatamente a sede do instituto Lula, em São Paulo, começou a receber manifestantes contrários à escalada da judicialização da política, da fascistização da sociedade, do uso do aparato estatal para perseguir e prender inimigos políticos, das ameaças que começaram a ser colocadas na arena pública pelos militares e seus apoiadores, contra o aceleramento de um processo carente de provas materiais e substantivas, o qual também já se sabia desde o início o que se queria obter com ele, contra o afastamento de conquistas como as garantias individuais, cláusulas pétreas da Constituição ignoradas pelo próprio Supremo Tribunal Federal e por sua presidenta, ministra Cármen Lúcia, e contra a prisão de Lula.

Em que pese o governo de conciliação de classes defendido pelo petista, que acabou por favorecer (mais ainda) o topo da pirâmide social, o que movimentos, sindicatos e cidadãos veem agora é o aprofundamento de um golpe com consequências nefastas sobre os trabalhadores, que já detonou o orçamento público das políticas sociais, ataca serviços e servidores públicos, retira direitos trabalhistas, quer acabar com as aposentadorias, com a educação e com a saúde públicas, entre outros ataques. Isso vem fazendo com que petistas e não petistas tomem as ruas do país. Nesta quinta (5), depois do ato na capital paulistana, milhares se dirigiram para a frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, berço político de Lula, na cidade de São Bernardo do Campo, onde passaram a noite em vigília. Outras cidades como Brasília também realizaram atos contra a ameaça que representa, para todos, a prisão de Lula num controverso processo que se assemelha aos  tempos da Ditadura iniciada em 1964, no cerceamento do direito de defesa (como o pedido de prisão desta quinta-feira), ou na falta de provas.

Para esta sexta-feira, estão previstos diversos atos, além da resistência em São Bernardo do Campo (há a possibilidade de Lula não comparecer à PF em Curitiba e aguardar pelos seus algozes, junto com a militância, na sede dos Metalúrgicos).

Em São Luís, entidades como Apruma, MST, Fórum Maranhense de Mulheres, entre outros, convocam ato para as 16h, na Praça Joãosinho Trinta, na REFFSA.

Para pouco antes do início do ato na capital maranhense é aguardado pronunciamento de Lula em São Bernardo do Campo. Às 17h, acaba o prazo dado pelo juiz federal em Curitiba.

A partir de agora, a maior parte dos movimentos de esquerda deve seguir unida na resistência em defesa de princípios democráticos duramente conquistados, aos quais a prisão de Lula representa ameaça, e que põe em vulnerabilidade não apenas as garantias do ex-presidente, mas de toda a sociedade, com destaque para as camadas que sempre foram forçadas a estar apartadas delas. A luta deve ser para defender tais princípios, aliada à batalha que sempre existiu para que eles alcancem a todos e a todas.