Comissão Pastoral da Terra lança Caderno de Conflitos no Campo dia 4 de junho em São Luís

Na segunda-feira, 4 de junho, a Comissão Pastoral da Terra faz o lançamento do Caderno de Conflitos no Campo, importante publicação anual na qual é feito o levantamento dessas ocorrências no Brasil no período.

Em São Luís, o lançamento ocorre às 14h30, no Auditório do Curso de História da UEMA, na Praia Grande (rua da Estrela, 329). Em Brasília, a ação é feita no mesmo horário, na sede da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). É a trigésima terceira edição do Documento, que reúne a violação de direitos e a violência contra camponeses, quilombolas, indígenas e demais populações tradicionais do país.

Aumento da violência no campo; Pau D’Arco faz um ano

Esta edição traz os números das ocorrências em 2017, e aponta que, nesse período, os conflitos registraram novo crescimento – o maior dos últimos 14 anos, refletindo não apenas a manutenção da inoperância e da conivência do Estado Brasileiro com a violência contra estas populações, mas o aumento este tipo de ação e de omissão por parte das esferas governamentais.

Em 2017, foram registrados 71 assassinatos no campo, dez a mais que no ano passado. Quase a metade desse número (31 assassinatos) ocorreu em 5 massacres, sem qualquer chance de defesa das vítimas. Entre esses, o de Pau D’Arco, o maior em décadas, ocorrido em 24 de maio de 2017, no qual nove homens e uma mulher foram dizimados numa operação das polícias civil e militar do estado do Pará. Foi a maior chacina no campo desde Eldorado dos Carajás, ocorrida também naquele estado (representado na foto de Sebastião Salgado, abaixo).

Na madrugada de quarta-feira do dia 24 de maio de 2017, por volta das 5 horas da manhã, policiais civis e militares se reuniram em frente ao 7º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Redenção, no Pará, com a finalidade, em tese, de cumprir 14 mandados de prisão preventiva e temporária no então Acampamento Nova Vida, no interior da Fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco. Mas naquela ocasião não houve prisões, e sim assassinatos: as mãos da polícia puseram fim às vidas de Jane Júlia de Oliveira, Oseir Rodrigues da Silva, Nelson Souza Milhomem, Wedson Pereira da Silva, Weclebson Pereira Milhomem, Bruno Henrique Pereira Gomes, 20 anos, Hércules Santos de Oliveira, 20, Regivaldo Pereira da Silva, 33, Ronaldo Pereira de Souza, 41, e Antônio Pereira Milhomem, 50.

Compuseram a operação no latifúndio (Fazenda santa Lúcia) 29 policiais civis e militares, sendo duas equipes da Polícia Civil (PC) – cada uma com quatro integrantes, e uma equipe específica da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) –, uma equipe do Grupo Tático Operacional (GTO) da PM de Conceição do Araguaia, uma equipe do GTO de Xinguara, e duas equipes da PM de Redenção e quatro policiais militares do Serviço de Inteligência, conhecido como P2. Foram presos pelo caso 17 policiais civis e militares que depois foram soltos, presos novamente e, agora, podem ser liberados a qualquer momento de novo (veja mais sobre um ano do massacre de Pau D’Arco clicando aqui).

Além dos homicídios, outras ocorrências também aumentaram

O Caderno de Conflitos a ser lançado na segunda-feira, 4, no prédio de História, registra ainda que, além do aumento no número de mortes, houve aumento também em outras violências. As tentativas de assassinatos subiram 63% e ameaças de morte 13% comparadas ao ano anterior.

Durante o lançamento, serão detalhados alguns desses casos, em especial as ocorrências no Maranhão, estado que infelizmente ganha destaque a cada edição.

Todos estão convidados e convidadas a participar e a refletir sobre esses números, que, mais que isso, são vidas interrompidas.

 

Lançamento do Caderno de Conflitos da CPT

– Dia 4 de junho, segunda-feira, 14h30

– Auditório do Curso de História da UEMA, na rua da Estrela – Praia Grande, em São Luís