Precarização da Educação: estudantes da Educação do Campo cobram infraestrutura

Os ataques abertos à Educação Pública desferidos por Bolsonaro e seus asseclas acabaram por evidenciar (ainda mais) a precariedade do trato ao tema no país.

Um exemplo vem da cidade de Bacabal, onde a Universidade Federal do Maranhão mantém, em condições precárias, o funcionamento do curso de Educação do Campo, voltado para atender famílias camponesas.

Os estudantes tornaram pública a seguinte carta que, com as imagens que também seguem, evidenciam a precariedade que lhes é destinada. Que a denúncia sirva para agregar ainda mais peso à luta no próximo dia 15, quando o país deve parar reivindicando respeito à Educação, fim dos cortes, das ameaças e, ao contrário do que faz o atual governo, investimentos maciços no setor!

Acompanhe:

CARTA DOS ESTUDANTES DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

Nós alunos da Educação do Campo da UFMA de Bacabal; viemos tornar público a situação de descaso e abandono desta instituição no que se refere aos problemas de infraestrutura na universidade, da falta de atenção a educação inclusiva, que vem enfrentado os estudantes da Educação do Campo por parte do poder público e da coordenação que gesta este espaço.

A Educação do Campo como fruto de luta dos movimentos sociais e outras organizações que militam na causa dos sujeitos do campo tem sua permanência garantida nestes 20 anos de Políticas Públicas, vem sendo ameaçada desde o governo Temer e no atual governo de Bolsonaro.

Na atual conjuntura do governo brasileiro um dos problemas estruturantes é a questão orçamentaria. A Educação do Campo vem sofrendo com desmonte na educação referente a emenda constitucional do teto de gastos, que limitou por 20 anos o gasto público, que afeta o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), causando o fechamento de centenas de escolas no campo e a evasão de milhares de estudantes. Para nós estudantes da Educação do Campo, o ataque a nossos direitos ao acesso a universidade pública é mais um golpe desse governo reacionário, que trata a educação como balcão de negociações e impedindo que a classe trabalhadora acesse a educação pública.

Neste contexto denunciamos as condições sub-humana que se encontram os estudantes da Educação do Campo neste período 24/04 a 22/05 de 2019 em que acontece o tempo universidade 2019.1; destacamos os seguintes problemas enfrentado pelo estudantes no campus da UFMA de Bacabal: O matagal que toma conta dos espaços externos dos alojamentos dos estudantes, da falta de manutenção nos alojamentos, nos ar condicionados nos quartos, banheiros danificados e insuficientes para demanda dos estudantes, os alojamentos necessitam de reparos urgentes e manutenção, troca de janelas, colocação de portas nos banheiros, inclusão de sistema de escoamento de água na lavanderia, troca de aparelhos de ar condicionados adequados, circulação de animais no ambiente, excesso de pernilongo por conta do matagal, teto gotejando nos dormitórios, paredes cheias de limo e mofo, dificuldades de acesso à internet para realizações de pesquisas, ausência de posto de primeiro socorros no Campus, em caso de emergência os estudantes que residem no Campus tem que se deslocar a cerca de 6 km até o centro da cidade de Bacabal e contar com ajuda externa de professores e conhecidos até a um posto de saúde, garantir a manutenção imediata da rede elétrica do campus, que está comprometida com problemas históricos de queda, curto-circuito, dentre outros, que coloca em risco a comunidade acadêmica, falta de atenção para Educação Inclusiva, estudantes da LEdoC com pouca visão não tem recebido atendimento de inserção social, dificultando sua participação em atividades escolares. Estes mesmos problemas constatamos no prédio central da universidade, onde recebe não só os alunos da Educação do Campo como também dos cursos de Ciências Naturais, Física, Biologia, Letras e Ciências Sociais.

Por tanto, diante destas situações pedimos em caráter de urgência que os gestores responsáveis pela gestão da Universidade Federal do Campus de Bacabal ao Srº Marcio Camelo e a Reitora da UFMA a Sr.ª Nair Portela tomem as cabíveis providencias aos problemas aqui relatados por nós estudantes.

Não aceitamos o sucateamento das universidades públicas!

“Educação do Campo, direito nosso, dever do Estado”.

Bacabal, 08 de maio de 2019